Minha última aula acabou às 20:00h, mas ao tentar sair da
faculdade me deparei com um rio na frente, atrás e dos
lados, todas as saídas estavam bloqueadas. Era um verdadeiro
rio, com direito a correnteza e tudo. Ninguém entrava nem
saía. Até o carro do Reitor, que costuma ficar na entrada,
bem à frente da reitoria, foi colocado na praça de
alimentação, um pouco mais atrás da universidade, onde a
água não chega. Em uma das saídas, existe um passarela (por
onde eu iria passar) com entrada e saída para o metrô, e foi
lá que as pessoas tiveram que ficar em pé, esperando a água
baixar.
Alunos deitavam em toda parte, nas salas de aula, em cima
das cadeiras, em um salão grande que a universidade possui.
Espalhados pelo chão esperando para poder ir embora. Somente
por volta das 23h, foi possível mais uma tentativa de saída.
Fizemos uma corrente com as mãos dadas e literalmente
entramos na correnteza e nos arriscamos. Conseguimos subir a
passarela para pegar o ônibus ou metrô, e enfrentar mais
algum tempo de espera até chegar em casa.
Os meios de comunicação informam com palavras e imagens
chocantes, essa verdadeira tragédia que o estado do Rio de
Janeiro está enfrentando. Muitas pessoas estão esperando
resgate de seus parentes mortos, outras tantas ficam com
olhares vidrados no que restou de suas casas, mesmo que seja
apenas um monte de terra. E a chuva não pára.
23:52hs. Acabei de deitar para dormir, depois de um loooongo
dia. Vou me embalar ao som do pinga-pinga, uma goteira no
teto. Nada que um balde não resolva.
Não tenho nada, absolutamente nada a reclamar, mesmo com uma
goteira, eu tenho um teto, uma cama com cobertor e
principalmente minha família viva aqui comigo.