
Todos os dias quando saio para trabalhar lá está ele, parado na esquina da minha rua encostado em um murinho baixo.
Um dia ele conversa com os aposentados, no outro com a criançada, no outro com o vendedor de vassoura, no outro com outros desocupados iguais à ele. Mas ele bate cartão todo santo dia na esquina encostado ao muro.
Quando eu chego do trabalho, lá está ele de novo, encostado no seu murinho. Não sei que horas termina seu expediente, mas começa antes e termina depois do meu.
É um desempregado. Não, na verdade não. Desempregadas são pessoas que não tem empregos, que procuram uma colocação no mercado de trabalho, que fazem entrevistas, que tentam até finalmente conseguir e perder o título.
Ele não. Ele é fiscal da natureza. É um desocupado, não sei se por opção, mas a julgar pela sua idade, uns trinta anos, acredito que sim. Até quem não é alfabetizado nesse país, se quiser um trabalho honesto consegue.
Minha mãe conta, que meu tio quando era criança carregava sacolas na feira para conseguir uns trocados. Hoje vejo isso no supermercado do meu bairro. Homens da idade do Faz-Nada, carregam as compras dos idosos e das pessoas que não aguentam levar tanto peso e sacolas. É uma fonte de renda honesta.
Mas para quê o Faz-Nada vai mudar sua atitude se tem alguém que o sustente?
E nós que pagamos impostos também sustentamos esses vagabundos porque quando precisam vão ao hospital público.
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